sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

SERGIO PORTO (STANISLAW PONTE PRETA)

(11/01/1923 -30/09/1968- RJ)

Cronista, escritor, compositor e radialista.

Compôs "Samba do crioulo doido"     
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Samba_do_Crioulo_Doido.                                                             

Morreu de infarto aos 45 anos.

Fazia piadas contra a ditadura.


Em 1951 começou a escrever crônicas sobre cinema no Diário carioca sob o pseudônimo de
Stanislaw Ponte Preta.

Observador da realidade carioca e dotado de um raro senso de humor, ironia e senso crítico, representou o drama e a comédia do cotidiano do Rio de Janeiro.

Detectava  e satirtizava com precisão as deformações na vida urbana como o vício do consumismo.

Além de cronista foi também novelista. Seis de suas novelas estão reunidas no volume As Cariocas.

1958 - O homem ao lado (reeditada depois com o título A Casa demolida).


Como Stanislaw Ponte Preta escreveu:

Tia Zulmira e eu (1961);
Primo Altamirando e Elas (1962);
Rosamundo e os outros (1963);
Garoto de linha dura (1964);
*FEBEAPÁ1 (Primeiro festival de besteira que assola o país (1966);
FEBEAPÀ2 (Segundo festival de Besteira que assola o país (1967);
FEBEAPÁ3 (1968);
Na terra do criolo doido (1968);
A máquina de fazer doido (1968);
Gol de padre.

* FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar já presente nos primeiros Atos Institucionais que tinham a sugestiva sigla de AI). Um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião.


Como Sérgio Porto:

A Casa demolida (1963)
As Cariocas (1967)
A velha contrabandista (1967)
Prova falsa.

Apaixonado por cinema e jazz escreveu Pequena história do jazz - publicada  pelo MEC (Coleção Cadernos de Cultura)

Sugestão de leitura:


A VELHA CONTRABANDISTA

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não “espaia” ? – quis saber a velhinha.
- Juro – respondeu o fiscal.
- É lambreta.



(Stanislaw Ponte Preta)
 
Filme As Cariocas



Fonte:

PONTE PRETA, Stanislaw. O Melhor de Stanislaw Ponte Preta. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.

www.releituras.com

http://www.simplesmenteportugues.com.br.

Wikipédia

OSWALD DE ANDRADE

OSWALD DE ANDRADE (11/01/1890 [SP]-22/10/1954)

Escritor, ensaísta e dramaturgo.

Um dos principais escritores do modernismo no Brasil.

1916 - Memórias sentimentais de João Miramar

1917 - Inicia com Mário de Andrade movimentos que visavam a Semana de Arte Moderna de 1922.

1922 - Trilogia do exílio (romance)
1925 - Pau-Brasil

 1927     - Estrela do absinto
              - Primeiro caderno de poesia
 1924 - lançou na Europa o movimento nativista Pau-Brasil
 1927 - Revista de Antropologia com seu Manifesto Antropofágico
 1933 - Serafim Ponte Grande
 1934 - A escada vermelha
1941 - Os condenados
1943 - Marco Zero I
1945 - Poesias reunidas
1946 - Marco zero II

TEATRO

O Homem e o cavalo
A Morta
O Rei da vela

ENSAIO
1945 - Ponta de lança
            A Arcádia e a inconfidência
1950 - A crise da filosofia messiânica
1966 - A marcha das utopias

MEMÓRIAS
Um Homem sem profissão



Com A Crise da filosofia messiânica passou a ser livre docente  na Universidade de São Paulo


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

JOÃO CABRAL DE MELO NETO (9/01/1920 [Recife] - 9/10/1999[Rio de Janeiro])

Poeta e diplomata brasileiro.
Primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freire;
Membro da Academia Brasileira de Letras;

Foi homenageado em 2007 pelo escritor e poeta baiano Goulart Gomes com a música "Cabralina, vencedora do Festival de Músicas do Sesi - Bahia.

Inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil fugindo de qualquer tendencia romântica, conhecida como poesia do concreto.
Dualidades como espaço e tempo, nordeste deserto e Andaluzia fértil, caatinga seca e pernambuco úmido.

OBRAS

Pedra do Sono (1942);
Os três mal amados (1943);
O Engenheiro(1945;)
Psicologia da composição (1947);
O cão sem plumas (1950);
O Rio ou relação da viagem que faz o Capipbaribe de sua nascente à cidade do Recife (1954);
Dois parlamentos (1960);
Quaderna (1960);
A educação da pedra (1966);
Morte e vida severina (1966);
Museu de tudo (1975);
A escola das facas (1980);
Auto do frade (1984;)
Agrestes (1985;)
Crime na Calle Relator (1987);
Primeiros poemas (1990);
Sevillha andando (1990).

PRÊMIOS

Neustadt International Prize for Literature - 1992;
Prêmio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana - 1994;
Prêmio Camões.

sábado, 5 de janeiro de 2013

UMBERTO ECO

 (5/01/1932[ Alexandria - Itália] -19/02/2016 [Milão])

Escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional.

Titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha, além de colaborador em diversos periódicos acadêmicos, colunista da revista semanal italiana L'E´presso e professor honoris causa em diversas universidades ao redor do mundo.


OBRAS
 
1980 - O Nome da rosa ("Prêmio Médicis de livro estrangeiro" - França);

Adaptação cinematográfica de Jean-Jacques Annaud com Sean Connery e Christian Slater nos papéis principais.

1988 - O Pêndulo de Foucault;

1994 - A Ilha do dia anterior;

2000 - Bandolino;


2004 - A Misteriosa chama da rainha Loana.

2011 - O Cemitério de Praga.


Ensaios

Obras nas áreas de filosofia, semiótica, linguística e estética

Obra aberta (1962);

Diário mínimo (1963);

Apocalípticos e integrados (1964);

 A definição da arte (1968);

A estrutura ausente (1968);

As formas do conteúdo (1971);

 Mentiras que parecem verdades (1972) (co-autoria de Marisa Bonazzi);

O super-homem de massa (1978);

Lector in fábula (1979);

Viagem na irrealidade cotidiana (1983);

O conceito de texto (1984);

Semiótica e filosofia da linguagem (1984);

Sobre o espelho e outros ensaios (1985);

Arte e beleza na estética medieval (1987);

Os limites da interpretação (1990);

O signo de três (1991) (co-autoria de Thomas A. Sebeok);

Segundo diário mínimo (1992);

Interpretação e superinterpretação (1992);

Seis passeios pelos bosques da ficção (1994);

Como se faz uma tese (1995);
Kant e o ornitorrinco (1997)

Cinco escritos morais (1997);

Entre a mentira e a ironia (1998);

Em que creem os que não creem? (1999) (co-autoria de Carlo Maria Martini);

A busca da língua perfeita (2001);

Sobre a literatura (2002);
Quase a mesma coisa (2003);

História da beleza(2004)

La production des signes (2005 em francês);

Le signe (2005; em francês);

História da Feiúra;

A vertigem das listas (2009);

Não contem com o fim do livro (2010)  (co-autoria de Jean-Claude Carrière) ).

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

RICARDO RAMOS

(04/01/1929 [Palmeira dos Indios]  - 1992)

Filho de Graciliano Ramos, foi escritor, jornalista, professor e responsável pelo evento "Bienal Nestlé de Literatura".

Um dos representantes da prosa contemporânea brasileira.

Obras:

1954 - Tempo de espera (contos);
            Graciliano: retrato fragmentado (memórias);
             O Rapto do Sabino (juvenil;)
1996 - Estação primeira (contos para jovens;)
            200 anos de propaganda no Brasi;l
            Entre a seca e a garoa (contos);
            Os Melhores contos.


Ganhou Prêmio Jabuti de 1959.

Leiam este excelente conto:



 Circuito fechado
 
                                Ricardo Ramos



Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço. Relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos, jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia. Água. Táxi, mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.




Fonte: wikipédia

domingo, 30 de dezembro de 2012

LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

(30/12/1898 [NATAL] - 30/07/1986)

Pesquisador das manifestações culturais brasileiras.
Escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro.
Obteve reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centros Rio e São Paulo

PRINCIPAIS OBRAS

Vaqueiros e contadores (1984)
Antologia do folclore brasileiro(1944)
Lendas brasileiras (1945)
Contos tradicionais do Brasil (1946)
Geografia dos mitos brasileiros (1976)
Dicionário do folclore brasileiro (1972)
Jangadeiros (1957)
Superstições e costumes (1958)
Rede de dormir (1983)
Folclore no Brasil (1980)
História da alimentação no Brasil (1983)
Coisas que o povo diz (1968)
Sociologia do açúcar (1971)
História dos nossos gestos (1976)
Antologia da alimentação no Brasil(1977)
Superstição no Brasil (1985)

Memorial Câmara Cascudo
http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/memo.htm

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

CLARICE LISPECTOR

Clarice lispector (10/12/1920 [Chechelnyk] - 9/12/1977 [RJ])

Escritora nascida na Ucrânia, chegou ao Brasil com 2 meses de idade.

Características da obra

Sentimentos universais;
Introdução do fluxo de consciência já usado por Proust e James Joyce.

Obras (Prosa)

1944 - Perto do coração selvagem (Prêmio Graça Aranha);
1946 - O Lustre (escrito em Nápoles)
1949 - A cidade sitiada (escrito na Suiça);
1960 - Laços de família  (contos);
1961 - A maçã no escuro (Prêmio Carmen Dolores Barbosa);
1964 - A Legião estrangeira (contos e crônicas);
            A paixão segundo H;
1969 - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres;
1971 - Felicidade clandestina;
1973 - A imitação da rosa (contos);
            Água viva;
1974 - A via crucis do corpo (contos);
            Onde estivestes de noite;
1975 - De corpo inteiro (entrevistas);
            Visão do esplendor (crônicas);
1977 - A hora da estrela (expressão da feiúra e da inexperiência);
1978 - Para não esquecer;
           Um sopro de vida;
1979 - A bela e a fera;

LIVROS INFANTIS

1967 -  O Mistério do coelhinho pensante (escrito em Washington, Prêmio Calunga da Cia Nacional da   criança);
1969 - A Mulher que matou os peixes;
1974 - A Vida íntima de Laura;
1978 - Quase de verdade.

Instituto Moreira Sales disponibiliza um site sobre a escritora e suas obras.
 http://claricelispectorims.com.br/v1/Books/bookPerBook

Entrevista com Clarice
http://www.youtube.com/watch?v=ohHP1l2EVnU

Sobre Clarice
http://www.youtube.com/watch?v=1nLWTU10QFI